Leandro Dal´Lago

Jornal  L´Attualità

 

“Para ser caminhoneiro, tem que estar no sangue”. É com esta frase que Leandro Dal´Lago, 36 anos, define o seu envolvimento com a profissão. Tudo começou em 1992, aos 18 anos, dirigindo um Scania 111, foi de São Marcos para o município de Campos, no Rio de Janeiro.

“Saí num sábado de Páscoa”, relembra ele, revelando que a viagem, talvez por ser a primeira, ficou gravada na memória. A expectativa, sobretudo se comparada às mais recentes, não foi das melhores. “Quando voltei para casa, disse pro pai (o ex-presidente da AMSM, Henrique Dal´Lago) que não queria mais ser caminhoneiro. Os motivos para a precoce desistência não eram bem claros. Hoje, Leandro reconhece que foi uma reação de quem não queria perder as “mordomias do lar”. Mas a profissão está no sangue, e o que está no sangue, parece fazer parte do destino. “Hoje faço viagens semanais para Goiânia e Brasília, levando lonas de freio da Fras-le e volto com bobinas de aço pela ANR Transportes, minha parceira de vários anos”.


Satisfeito com o trabalho, apesar de ser um pouco cansativo e ter que ficar longe da família por alguns dias, Leandro projetou São Marcos no cenário nacional: ele ficou em segundo lugar no concurso promovido pela Scania e que envolveu mais de 21 mil motoristas em todo o país. Após passar pela primeira fase (teórica, com um questionário de 20 perguntas que abordavam temas de direção defensiva, segurança e mecânica), Leandro classificou-se em primeiro lugar na etapa regional, realizada em Caxias do Sul. A final, em São Paulo, reuniu os 12 vencedores das regionais. Leandro ficou em segundo, perdendo por um detalhe, devido a uma manobra equivocada. “Faltou aquilo que o motorista mais precisa: paciência”, afirma Leandro, lembrando que na hora do teste ficou um pouco nervoso e perdeu a calma. No entanto, mais do que ser o segundo melhor motorista do Brasil no concurso Scania, o que importa para Leandro Dal´Lago é ser um bom motorista no curso da vida, isto é, ser prudente, atencioso e muito, muito paciente.


“Não podemos jamais perder a calma”, aconselha o caminhoneiro, que com 18 anos de estrada sofreu um único acidente. “Foi logo no início, quando eu tinha 18 anos, fui tocar de noite e peguei no sono. O resultado foi que saí da estrada e capotei”, revela, admitindo que o acidente foi resultado de sua inexperiência. “Ainda não sabia o meu limite e naquele dia aprendi que o bom motorista sabe a hora de parar para descansar”, observa. Dal´Lago revela que não costuma “tocar” a noite. “O motorista sofre muita pressão. Muitas vezes trabalhamos com prazos curtos de entrega de cargas, o trânsito não colabora, o cansaço diminui a atenção, e só o que nos resta é ter paciência”, aconselha.

Fonte: Jornal  L´Attualità,  São Marcos, 16 de outubro de 2010 – Ano 14 – Edição 306.
Crédito da foto: Jornal L'Attualità


 

 

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